ILÊ-IFÉ A ORIGEM DO
MUNDO
A cidade de Ilê-Ifé é
considerada pelos yorubas o lugar de origem de suas primeiras tribos. lfé é o
berço de toda religião tradicional yoruba (a religião dos Òrìsà, o
Candomblé do Brasil) ,é um lugar sagrado, onde os deuses ali chegaram, criaram e
povoaram o mundo e depois ensinaram aos mortais como os cultuarem, nos
primórdios da civilização. Ilê-Ifé é o "Berço da Terra".
"Em um tempo onde os
Deuses e Heróis andavam na terra com os Homens."
OBA
ÒRÁNGÚN DE ÌLÁ, UM
DESCENDENTE DIRETO DE UM DOS SETE PRINCIPAIS FILHOS, DOS DEZESSEIS DE
ODÙDUWÀ.
Olódùmarè
Olódùmarè o ser superior
dos yorubas, que vive num universo paralelo ao nosso, conhecido como Òrún, por
isso Ele é também conhecido como Àjàlórún e Olórun "Senhor ou Rei do Òrún", que
através dos Òrìsà por Ele criado, resolve incumbir um dos Òrìsà funfun (do
branco), Òrínsànlá, (o grande Òrìsà) o primeiro a ser criado, também chamado de
Òrìsà-nlá e de Obàtálá, de criar e governar o futuro Àiyé : a Terra, do nosso
universo conhecido. Ele lhe entrega o Àpò-Iwá (a sacola da existência) o qual
contém todas as coisas necessárias para a criação, e é aclamado como
Aláàbáláàse, "Senhor que tem o poder de sugerir e realizar". Como a tradição
mandava, para todos, antes de iniciar a viagem ele foi consultar o oráculo de
Ifá, com Òrúnmìlà, outro Òrìsà funfun, e este lhe orientou a fazer alguns
sacrifícios a divindade Èsù, mas se ele já era orgulhoso e prepotente, mais
ainda ficou, se recusou e nada fez, mas foi avisado que infortúnios poderiam
ocorrer.
Òrìsànlá, de posse do
Àpò-Iwá, põe-se a caminhar pelo Òrún, para chegar à "porta do espaço", até então
um vazio, que viria a ser o Àiyé. Ele é o Òrìsà que usa um cajado ritual
conhecida como òpásóró, durante o caminho, com muita sede, ele se defronta com o
igi-òpé (árvore do dendêzeiro) e com o seu òpásóró, perfura o caule da árvore da
qual começa a "jorrar o emu" (vinho de palma), e põe-se a beber, a tal ponto,
que cai totalmente embriagado no pé da palmeira e dorme profundamente. O
infortúnio começa acontecer.
Odùduwà, outro Òrìsà
funfun, o segundo criado por Olódùmarè, por conceito "irmão mais novo" de
Òrìsànlá, ficou enciumado, porque Olódùmarè tinha entregado a Òrìsànlá o
Àpò-Iwá, e o estava seguindo pelos caminhos do Òrún, esperando que ele cometesse
algum deslize, o que de fato aconteceu. Odùduwà, encontrando-o naquele estado,
apodera-se do Àpò-Iwá e leva-o até Olódùmarè, narrando o acontecido, e, por este
fato, Olódùmarè delega a Odùduwà o poder de criar o Àiyé e por punição incumbe a
Òrìsànlá de somente criar e modelar os corpos dos seres humanos no Òrún, sob sua
supervisão e o proíbe terminantemente de nunca mais beber o emu. Odùduwà, então,
cumpre a tradição e faz as obrigações, para se tornar o progenitor dos Yorubas,
do Mundo : Olófin
Odùduwà, o futuro Àjàlàiyé.
Desde então a relação
tempestuosa entre Odùduwà e Obàtálá se perpetuou, ora em disputas, discórdias,
controvérsias e de outras formas, mas sempre munindo a eterna
rivalidade.
ADÉ ARÉ ODÙDUWÀ -
Oba Óòni Ifé
Suposta relíquia de
Odùduwà, seria um ou seu Ade de Óònì de Ifé, aqui sem Aré propriamente dito (ler
abaixo). –
- O Are propriamente
dito. –
(acima)Este é o Ade
principal do Óònì de Ifé, fotos acima, guardado em uma sala especial do Palácio
Real de Ifé. O Are era originalmente somente a parte mais externa da coroa que
dizem foi usada por Odùduwà, o Are é passada de um Óònì para o outro e nunca
deve ser substituído, as outras partes podem ser escolhidas livremente por cada
um. O Aré se tornou o próprio nome da coroa : Adé Aré. –
- Óònì de Ilê-Ifé :
Oba Adésojí Adérèmí, Atóbatélè I
(02/09/1930-80), nascido em 15/11/1889, no clã (egbe) Akui, da Familia Real de
Lajodogun. Usando o Ade Are das fotos acima.
Ade Olójúmérìndilógún, é a coroa possuidora de 16 faces, que para alguns, faz alusão aos possíveis 16 filhos de Odùduwà. Pode se ver o Oba Owá usando este tipo de ade. -
A FORMAÇÃO DA NAÇÃO
YORUBA
À partir de alguns dos
filhos e/ou netos de Olófin Odùduwà, Óònì de Ilê-Ifé, Oba dos Ifé e Bàbánláàwa
dos Yoruba :
Uma Princesa, de nome
desconhecido : filha ou neta de Odùduwà, que casou-se com um sacerdote, e foi
mãe de Ajíbósìn, que se tornou o Olówu de Òwu. Ou não foi uma princesa e sim uma
das esposas de Odùduwà : Omìtótó-Òsé, que foi a mãe de Ajíbósìn.
Sopasan : Alákétu de
Kétu, filho de Odùduwà com Omonide, uma de suas esposas; ou foi filho de uma
princesa, filha ou neta de Odùduwà, de nome desconhecido, ou, que se chamava
Oluwunku, que se casou com Paluku e foram então os pais de Sopasan, o qual
fundou, num vale do monte Òkè-Oyan, a primeira cidade dos Kétu, que se chamou
Arò-Kétu. O sétimo Alákétu o Oba Ede, transferiu sua corte da então capital do
reino, Arò-Kétu para uma que fundou, à atual cidade de Kétu, hoje na República
do Benin.
Ajagunlà : Òrángún de
Ìlá.
Nome desconhecido :
Onisabe, Reino dos Save, hoje na República do Benin.
Idekòséroàké também
conhecido como Okànbí Odara : Onípòpó, Reino dos Pòpó, hoje na República do
Benin.
Òrànmíyàn : Obaàbínín da
cidade do Benin, destronando e o expulsando Ogìso, inicia a linhagem dos Oba no
Benin, sua dinastia tem continuidade com Èwékà, seu filho com uma mulher do
local, que o sucedeu após ele, Òrànmíyàn deixar a cidade.
Òrànmíyàn : Aláàfin dos
Oyó, funda a cidade após a conquista da cidade do Benin. Oyó se tornou um grande
Reino e mais tarde, um poderoso Império.
Àjàlekè : Aláké dos
Ègbá.
Ajíbógun : Owá Obókun
das terras de Ilesa - Ijesa.
Obàlùfan
Aláyémore : Olùfan de Ifan .
Àjàpondà : Déji de
Àkúré.
Olúgbórógan : Awùjalè
das terras de Ìjèbu.
Obaràdà : Um Reino, hoje
na República do Benin.
Onínàná : Um Reino, hoje
na República de Gana.
Ogbè : Ajèro de
Ìjero.
o clã dos
Ido, das terras de Ègbádò, hoje parte destas cidades como Pobé, Saketé e Ajase (
Porto Novo) estão na República do Benin.
Soropàsán : .
dos Ìgbómínà.
Odùduwà
Odùduwà chegando ao
Àiyé, cria tudo o que era necessário e delega poderes às divindades que o
seguiram, conhecidos como os Àgbà*, para governarem
a criação, e volta ao Òrún, e só retornaria quando tudo estivesse realmente
concluído. Òrìsànlá, que tinha ficado no Òrún com seus seguidores, já tinha
moldado corpos suficientes para povoar o inicio do mundo, vai então para o Àiyé,
com seus seguidores, os Funfun*; fato que
ocorre antes da volta de Odùduwà para o Àiyé. *Anexos.
Quando Olófin Odùduwà
retorna ao Àiyé, funda a cidade de Ilê-Ifé, e vem a ser o primeiro Oba (rei) do
povo yorubano com o titulo de "Oba Óòni", ou seja, o primeiro Óòni de Ifé, e a
cidade se torna a morada dos deuses e dos novos seres.
Durante todo este tempo,
Odùduwà que já estava casado com Ìyá Olóòkun, divindade feminina, responsável e
dona dos mares, tem dois filhos, o primogênito, a divindade Ògún e uma filha de
nome Ìsèdélè. O tempo passa, e Odùduwà, que era uma divindade negra, porém
albina, incumbe seu filho Ògún de ir para a aldeia de Ògòtún, vizinha de Ifé,
conter uma rebelião.
Ògún, divindade negra,
senhor do ferro, parte para sua missão e realiza o intento, trazendo consigo
Lakanje, filha do rebelde vencido. Ora, Lakanje era espólio de Odùduwà, o Óòni
de lfé, portanto intocável, mas Lakanje era muito bela e extremamente sensual e
Ògún não resistiu aos seus encantos e com ela teve várias noites de amor,
durante sua viagem de volta. Chegando a lfé, ele entrega os espólios da
conquista, inclusive Lakanje, a seu pai Odùduwà, que também não resistiu aos
lindos encantos da mortal Lakanje e por ela se apaixona e acabaram por casar-se.
Ògún nada tinha contado a seu pai dos fatos ocorridos e logo após o casamento
Lakanje está grávida, desta gravidez nasce um filho de nome Odéde.
Só que o destino foi
fatídico, Odéde nasceu metade negro, como a pele de Ògún e metade branco, como a
pele do albino Odùduwà, revelando assim, a traição de Ògún para com a confiança
do seu pai, esta situação gerou muita discussão entre Odùduwà e Ògún, mas a
principal foi "quem tinha razão", ou, quem teria mais "genes" no filho em comum,
Odéde, e cada um se posicionava com a seguinte frase : "a minha palavra
triunfou" ou "a minha palavra é a correta", que aglutinada é Òrànmíyàn e foi
assim que ele passou a ser chamado e conhecido.
Com Lakanje, uma das
muitas esposas de Odùduwà*, ou
com outras, teve ou já tinha mais seis filhos, outros dizem dezesseis, uns, um
número maior ainda, enfim, alguns dos filhos destas esposas, geraram as
linhagens dos Obas Yorubanos, uns foram
os precursores de sete das principais tribos, ou mais, que deram origem à
civilização dos yorubas, e religiosamente falando, todos os povos do mundo. Os
filhos, netos ou bisnetos de Odùduwà, os deuses, semideuses e/ou heróis,
formaram a base da nação yoruba, portanto Olófin Odùduwà Àjàlàiyé é aclamado
como "O Patriarca dos Yorubas". *Anexo
Obàtálá (Òrìsànlá) ,que
também já estava no Àiyé com sua comitiva, mas devido a grande rivalidade com
Odùduwà, foi expulso de Ilê-Ifé e funda a cidade de Ìgbò e se torna o primeiro
Obà Ìgbò chamado também de Bàbá Ìgbò, pai dos ìgbòs. Numa sociedade polígama,
Òrìsànlá é um caso raro de monogamia, pois a divindade Yemowo foi sua única
esposa e não tiveram filhos.
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Òpá Òrànmíyàn, em
Ilê-Ifé, mais fotos e dados em Òrànmíyàn -
Òrànmíyàn
Após grandes vitórias,
Òrànmíyàn torna-se o braço direito de seu pai em Ilê-Ifê, pois seus outros
irmãos foram povoar regiões distantes, menos Obàlùfan Ògbógbódirin. Odùduwà
ordena então que Òrànmíyàn conquiste terras ao norte de Ifé, mas Òrànmíyàn não
consegue cumprir a tarefa e sai derrotado e, com vergonha de encarar seu pai,
não volta mais a Ifé, com isso funda uma nova cidade e lhe dá o nome de Oyó,
tornando-se o primeiro Oba Aláàfin de Oyó.
Casado com Morèmi, uma
bela mortal ,nativa de Òfà ,que se tornou mais tarde uma heroína em Ilê-Ifé, da
qual tem um filho, que recebe o nome de Ajaká. Após algum tempo, Òrànmíyàn
investe em novas conquistas e volta a guerrear contra a Nação dos Tapas, onde
havia sido derrotado, mas desta vez consegue uma grande vitória sobre Elémpe, na
época rei dos Tapas. Por sua derrota, Elémpe entrega-lhe sua filha Torosí, para
que se case com ele. Retornando a Oyó, Òrànmíyàn casa-se com Torosí e com ela
tem um filho, chamado de Sàngó, um mortal, nascido de uma mãe mortal e um pai
semideus, portanto com ascendentes divinos por parte de pai.
Após este período com
inúmeras vitórias, a cidade de Oyó torna-se um poderoso império, Òrànmíyàn,
prestigiado e redimido de sua vergonha, volta para Ilê-Ifé, deixando em seu
lugar, em Oyó, o príncipe coroado, seu filho Ajaká, que torna-se o segundo
Aláàfin de Oyó.
Em uma de suas
conquistas, a da cidade de Benin, anterior a fundação de Oyó, Òrànmíyàn termina
com a dinastia de Ogìso, o então rei, expulsando-o e assumindo o trono,
tornando-se o primeiro Obabínín, e inicia sua dinastia tendo um filho, chamado
Èwékà, com uma mulher do local. Antes de deixar a cidade, ele torna Èwékà como
seu sucessor no trono do Benin. (Atual cidade na Nigéria, antigo Reino do Benin,
não confundir com a República do Benin, antigo país chamado Daomé.)
Durante sua longa
ausência em Ilê-Ifé, Obàlùfan Ògbógbódirin ,seu irmão mais velho, se tornou o
segundo Óòni de Ifé, após o reinado de Odùduwà. Quando Obàlùfan morreu, e
ninguém sabia do paradeiro de Òrànmíyàn, o povo de Ifé aclamou Obàlùfan
Aláyémore como sucessor direto de seu pai.
Quando Òrànmíyàn chega
em Ifé, Obàlùfan Aláyémore já reinava como o terceiro Óòni de Ifé, mas com um
fraco reinado. Enfurecido com o povo de Ifé que haviam aclamado Aláyémore, e que
o tinham chamado para combater possíveis inimigos, o poderoso guerreiro colérico
,comete varias atrocidades e só para quando uma anciã grita desesperada que ele
está destruindo seus "próprios filhos", o seu povo. Atônito, ele finca no chão
seu asà (escudo) que imediatamente se transforma em uma enorme laje de pedra
,num lugar hoje chamado de "Ìta Alásà" ,e decide ir embora e nunca mais voltar à
Ifé.
Quando rumava para fora
dos arredores de Ifé ,em Mòpá, foi interceptado pelo povo que o saudavam como
Óòni de Ifé e suplicavam por sua volta. Ele então satisfeito e envaidecido
,atende ao povo e finca no chão seu òpá (seu bastão de guerreiro)
transformando-o em um monólito de granito (ver foto : Òpá Òrànmíyàn) selando
assim o acordo com o povo e volta em uma procissão triunfante ao palácio de Ifé.
Sabendo disso, Obàlùfan
Aláyémore abandona o palácio e se exila na cidade de Ìlárá. Òrànmíyàn ascende ao
trono e se torna o 4ª Óòni de Ifé até sua morte. Obàlùfan Aláyémore, retorna do
exílio e reassume como o 5ª Óòni de Ifé e reina deste vez, com sucesso até a sua
morte.
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Adé Òrìsà, tipo de
coroa real tradicional, somente usada por alguns privilegiados reis que sejam
descendentes de Odùduwà. -
Ajaká
O Aláàfin de Oyó, o Oba
Ajaká, meio irmão de Sàngó, era muito pacifico, apático e não realizava um bom
governo.
Sàngó, que cresceu nas
terras dos Tapas ( Nupe), local de origem de Torosí, sua mãe, e mais tarde se
instalou na cidade de Kòso, mesmo rejeitado pelo povo por ser violento e
incontrolável, mas sendo tirânico, se aclamou como Oba Kòso. Mais tarde, com
seus seguidores, se estabeleceu em Oyó, num bairro que recebeu o mesmo nome da
cidade que viveu, Kòso e com isso manteve seu titulo de Oba Kòso. Sàngó
percebendo a fraqueza de seu irmão e sendo astuto e ávido por poder, destrona
Ajaká e torna-se o terceiro Aláàfin de Oyó.
Ajaká, também chamado de
Dadá, exilado, sai de Oyó para reinar numa cidade menor, Igboho ,vizinha de Oyó,
e não poderia mais usar a coroa real de Oyó. E, com vergonha por ter sido
deposto, jura que neste seu reinado vai usar uma outra coroa (ade), que lhe
cubra seus olhos envergonhados e que somente irá tira-la quando ele puder usar
novamente o ade que lhe foi roubado. Esta coroa que Dadá Ajaká passa a usar, é
rodeada por vários fios ornados de búzios no lugar das contas preciosas do Ade
Real de Oyó, e esta chama-se Ade Bayánni (ver fotos). Dadá Ajaká então casa-se e
tem um filho que chama-se Aganju, que vem a ser sobrinho de Sàngó.
Sàngó reina durante sete
anos sobre Oyó e com intenso remorso das inúmeras atrocidades cometidas e com o
povo revoltado, ele abandona o trono de Oyó e se refugia na terra natal de sua
mãe em Tapa. Após um tempo, suicida-se, enforcando-se numa árvore chamada de
àyòn (àyàn) na cidade de Kòso. Com o fato consumado, Dadá Ajaká volta à Oyó e
reassume o trono, retira então o Ade Bayánni e passa a usar o Ade Aláàfin,
tornando-se então o quarto Aláàfin de Oyó. Após sua morte, assume o trono seu
filho Aganju, neto de Òrànmíyàn e sobrinho de Sàngó, tornando-se o quinto
Aláàfin de Oyó.
Com Aganju, termina o
primeiro período da formação dos povos yoruba e após seu reinado se dá inicio ao
segundo período, o dos reis históricos. Vimos : "De Ifé até Oyó, de Odùduwà a
Aganju, passando por Sàngó."
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Adé Bayánni, tipo de
coroa usada por Dadá Ajaká, durante seu exílio na cidade de Igboho. Veja este e
outros ampliados em Bayánni -
Sàngó
O que notamos nesse
primeiro período yorubano, é que na realidade, o que se fala de Sàngó, e a sua
história nos Candomblés do Brasil, e de outros acima descritos, é incorreto,
levando os fiéis a crer em fatos irreais.
Inicialmente,
averiguamos que Odùduwà é um Òrìsà funfun masculino e único, é o pai do povo
yorubano e não uma simples "qualidade" de Òrìsànlá ou seja, são divindades
totalmente distintas, inclusive, não se suportavam, pelos fatos vistos; e que
também Ìyá Olóòkun, é um Òrìsà feminino e a Dona do Mar, portanto da água
salgada, é quem governa os oceanos e não o Òrìsà Yemojá, "Senhora do rio Yemojá
e do rio Ògùn", divindade de água doce, e muito menos mãe de Ògún e de outros
filhos Òrìsà à ela atribuídos. Notar a acentuação diferente no nome do Òrìsà
Ògún e do rio, pois são palavras distintas.
Quanto a Sàngó,
demonstramos que foi um mortal em sua vida no Àiyé, portanto quando morreu,
tornou-se um egún, pois seus pais eram mortais. O que ocorreu em sua vida, foi
que uma de suas esposas, e a única que o acompanhou em sua fuga de Oyó, era a
divindade Oya, loucamente apaixonada por ele, e no instante de sua morte ela o
pega com o seu poder de Òrìsà e o conduz diretamente a Olódùmarè, e por
insistência de Oya, Ele o "ressuscita" como uma divindade, já que em vida, Oya,
perdida de amores, ensina-lhe vários segredos dos Òrìsà, principalmente o
segredo do fogo que pertencia somente a Oya, que ela lhe ensina e lhe dá este
poder e outros, por paixão.
Esta afirmação é
facilmente notada, pois Sàngó é a única divindade do panteão que é assentada de
forma material completamente diferente, isto é, em madeira, numa gamela sobre um
pilão, sua roupa ritual é composta de várias tiras de panos, coloridas e soltas,
caindo sobre as pernas, que lembra perfeitamente o tipo de roupa usada pelos
Bàbá Egúngún (ancestrais) e seu animal preferido para sacrifício é também o
mesmo dos egún, dos mortos comum, o carneiro; existe também outras minúcias, que
aqui não cabe mencionar. Leia em artigos : O Culto dos
Egúngún
Nos Candomblés, citam
Ajaká e Aganju como sendo "qualidades" de Sàngó, que agora sabemos isto não é
possível, pois, Ajaká é seu meio irmão e Aganju é filho de Dadá Ajaká, portanto
seu sobrinho, notoriamente pessoas mortais e completamente distintas, que fazem
parte da família de Sàngó, mas não tiveram a honra de tornarem-se Òrìsà, mas são
ancestrais ilustres. Também no Brasil, faz-se uma cerimônia chamada de "Coroa de
Dadá" ou "Adê Baiani". que a coroa é levada ritualmente em uma charola durante
as festas do ciclo de Sàngó chamada de Banni ou lyamasse, que representa a mãe
de Sàngó. Ora, sabemos que quem usou este ade foi, Ajaká, apelidado de Dadá, de
quem Sàngó lhe roubou o trono, e que a mãe de Sàngó foi Torosí, filha de Elémpe,
rei dos Tapa, e que ela não tem nenhuma importância teológica, somente
histórica, por ter sido mãe de um Aláàfin.
Não estamos desmerecendo
e nem tampouco desprestigiando o Òrìsà Sàngó, somente tentamos elucidar fatos
notoriamente conhecidos na terra dos Yorubas, sob os aspectos histórico, através
da tradição oral, e divino que se convergem e se conservam na grandiosidade de
Sàngó.
NOTA* : Os mitos e/ou
fatos relatados, são baseados em dados religiosos, por vezes dogmáticos, que
pertencem ao corpo da tradição oral yorubana. Sob o ponto de vista cientifico,
são considerados parcialmente históricos, pois não são dados comprovados por
documentos e nem tampouco pela arqueologia, que pouco investiu, os
"pouquíssimos" artefatos que foram achados e datados pelo carbono 14, são de
datas recentes, perto da longínqua História da Civilização Yoruba. No
contraponto, em nenhum momento afirmamos que não exista a História dos Yorubas,
isto sim, seria um absurdo afirmar. A tradição oral pode ser contraditória e a
cronologia praticamente inexistente, pela forma cultural dos yorubas mensurarem
o tempo, mas jamais poderá ser negligenciada e nem tampouco
rejeitada.
*Nota atual do autor
para este site.
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O atual Óònì Ilê-Ifé,
Oba Okunade Sijuwade, Olúbùse II ,coroado em 1980, nasceu em 1º de
janeiro de 1930, no clã (egbe) Óòni Ilare, da Familia Real de Ogbooru.
-
Estatua da figura de
um Óònì não identificado, artefato arqueológico do século XIV ou XV, achado no
sitio de Ìta Yemòmó, em Ilê-Ifé. A peça esta exposta no Museu de Ife.
-
Os
Àgbàgbà
Os "dezesseis" àgbà
(anciões) que vieram com Odùduwà para criar o Àiyé, que por este motivo se
tornou Olófin Odùduwà, o Àjàlàiyé.
Máscara de cobre, que
dizem representar o segundo Óòni de Ilê-Ifé, o Oba Obàlùfan Ògbógbódirin, filho
de Odùduwà, alguns falam que foi o primeiro Oba a ser realmente coroado e o
primeiro a usar a então tradicional coroa, o Ade Aré. -
Òrúnmìlà ou
Àgbónmìrégún : "Senhor do Oráculo de Ifá", foi o primeiro companheiro e o Chefe
Conselheiro de Odùduwà, um primeiro ministro, orientando sobre tudo e a todos,
inclusive em assuntos governamentais de Ilê-Ifé.
Obàtálá : também
chamado de Òrìsànlá : considerado o primeiro e principal artesão, por modelar os
corpos dos seres humano, é aclamado como Alámòrere, "Senhor da boa argila", por
extensão, o patrono dos artistas, principalmente dos escultores.
Olúorogbo ou Òrìsà
Aláse : foi o terceiro àgbà em importância depois de Odùduwà, aquele que foi o
"Salvador do Mundo", que fez chover numa grande seca, pois foi o chefe
mensageiro entre o Oba Orún e o Oba Àiyé, ou seja entre Olódùmarè e
Odùduwà.
Obamèri : também
chamado de Alapa-Aharemadà : foi o seu "general".
Orèlúéré ou Orè (Oré)
: Olóde Orè, o chefe dos caçadores e guardião das tradições e da moral. Para
uns, após Odudùwà ter criado o mundo, o primeiro a pisar na terra e depois
explora-la, foi Olóde Orè, antes de qualquer um, como manda a tradição era uma
das funções dos caçadores, por isto é também aclamado como Onílè, "Senhor da
terra". Dizem que mais tarde, ele se tornou um dos companheiros de
Òbàtálá.
Obasìn ou Èsù Obasin
: Era quem controlava os intempéries da natureza, e mais tarde, tornou-se o
principal assistente de Òrúnmìlà.
Obàgèdè ou Obàgîdî :
foi o chefe mensageiro de Obamèrì.
Ògún : foi o chefe
dos guerreiros.
Obamakin : sem dados
Obawinni Oreluko :
também chamado de Oro-Apasa ,que mais tarde se tornou se tornou um dos
companheiros de Òbàtálá, foi ele quem tornou Òbàtálá o 1º Oba dos Ìgbò, quando
da retirada deles de Ilê-Ifé, imposta por Obamèri. Depois que Òbàtálá se foi,
ele os liderou e se tornou o 2º Oba dos Ìgbò.
Aje Sàlugá : "Senhor
da Riqueza", foi o "financeiro" de Odùduwà. Outras fontes dizem que foi uma
filha de Olóòkun com Odùduwà. É interessante notar, que como divindade
masculino, seu símbolo seja uma grande concha marinha, que estranhamente é
também um dos símbolos de Olóòkun.
Èrìsilè : sem dados
Élésìje: Foi um
ervanário, que iniciou a pratica da medicina tradicional.
Olósé : sem dados
Alajó : : sem dados
Èsìdálè : que cuida
daqueles que morrem tragicamente, como mulheres que morrem ao dar à luz,
inclusive os suicidas.
Outros, incluem na
comitiva :
Olóòkun : A primeira e
favorita esposa de Odùduwà. A Deusa do Mar.
Òrìsàtéko Ìjùgbè ou
Obaresé : um grande guerreiro e companheiro muito ligado a Obàtálá.
Yemowo : que foi a única
esposa de Obàtálá.
Outros não consideram
Obàtálá como um dos 16, pois chegou somente após os 16, porém, antes da segunda
vinda de Odùduwà.
Uns dos seus
partidários, dos 16, foram Orèlúéré e Obawinni.
Os Òrìsà Funfun
Os
"Òrìsà Funfun" são aqueles que vieram com Òbàtálá, seu líder, para
Àiyé, ou posteriormente, aderiram ao grupo ou a ele. Praticamente são
considerados como um clã ou sua "própria família". Òbàtálá se tornou o
mais conhecido e reverenciado de todos os Òrìsà, por toda terra dos
Yorubas e por extensão em todo
o Mundo.
FOTO de Òbàtálá e Yemowo,
sua única esposa, no templo de Ìdèta-Ilê em Ilê-Ifé, no bairro de Itapa,
anteriormente era no bairro de Ìdèta. -
Alguns dos Òrìsà
Funfun
Òrìsàála, Òrìsà-nla,
Òsàla, ou Òbàtálá : O primeiro Òrìsà a ser criado
por Olódùmarè
.
Òrìsàteko
ou
Eteko Oba Dùgbè : Um grande guerreiro associado a
Òbàtálá nas longas disputas de liderança com Odùduwà. Como seu principal
templo é em Ìjúgbè, é também conhecido por Òrìsà Ìjùgbè. Este
Òrìsà também esta relacionado com a agricultura, dizem que foi o primeiro
a cultivar o inhame.
Òrìsà Akiré :
Um guerreiro
poderoso e rico e que tinha muitos escravos, tudo oriundo de espólios de suas
conquistas. Seus principais templos são em Ìlàré e em Arùbídì. Dizem uns
que Òrìsàkiré é um Òrìsà da paz, da produtividade e da
opulência.
Òrìsà Aláse ou Olúorogbo
: "Aquele que
possui o infinito saber", quem ensinou ao Homem a se comunicar com símbolos e/ou
marcas. Dizem que foi ele quem resolveu parte da longa e eterna disputa entre
Òbàtálá e Odùduwà.
Òrìsàjiyán ou Ògiyán :
também
Ewúléèjìgbò na cidade de Èjìgbò.
Òrìsàlufan ou Olufan
: também
Òsàlufan na cidade de Ifan.
Òrìsà Oko
: Òrìsà
da agricultura. Da cidade de Ìràwò.
Òrìsà Òkè
: Òrìsà
das colinas e dos montes.
Òrìsàròwu ou Òrìsà Lòwu
: Na cidade de
Owu.
Òrìsà Ajagemo
: Na cidade de
Ede.
Òrìsà Olúwofín
: Na cidade de
Iwofin.
Òrìsà Pópó
: Na cidade de
Ògbómòsó.
Òrìsà Eguin
: Na cidade de
Owú.
Òrìsà Jayé
: Na cidade de
Ijàyé.
Òrìsàko
: Na cidade de
Oko.
Òrìsà Olóbà
: Na cidade de
Òbá.
Òrìsà Obaníjìta
Òrìsà Alajere
Òrìsà Olójó
Òrìsà Oníkì
Òrìsà Onírinjà
Òrìsà Àrówú
.
* Òrìsà
funfun - divindades que tem
como rito comum o uso de elementos e oferendas de cor branca ou derivada, e
tabus alimentares ou outros, por vezes também semelhantes. Quando não, são
também assim chamados por fazerem parte do processo da criação - que são os
casos, principalmente de Odùduwà e Òrúnmìlà.
* O rito e o culto dos
Òrìsà funfun, são tão semelhantes ou quase idênticos, que em
vários casos é difícil distinguir se se trata de divindades distintas ou são
qualidades de Òbàtálá, ou ainda, somente nomes diferentes do mesmo
Òbàtálá. Pode, por estes ou outros inúmeros fatores, que o levaram
a ser o mais conhecido Òrìsà do panteão, obviamente, sem se
esquecer da sua real importância na gênesis yoruba.
ODU TORNA-SE ÌYÁMI
"Nos
primórdios da criação, Olodumaré, o Ser Supremo que vive no orun,
mandou vir ao aiyé (universo conhecido) três divindades: Ogun
(senhor do fèrro), Obarixá (senhor da criação dos homens) (2) e
Odu, a única mulher entre eles. Todos eles tinham poderes, menos ela, que
se queixou então a Olodumarê. Este lhe outorgou o poder do pássaro
contido numa cabaça (igbá eleiye) e ela se tornou então, através
do poder emanado de Olodumarê, Ìyáwon, nossa mãe para eternidade
(também chamada de Iyami Oxoronga, minha mãe Oxorongá). Mas
Olodumarê a preveniu de que deveria usar este grande poder com cautela,
sob pena de ele mesmo repreendê-la.
"Mas ela
abusou do poder do pássaro. Preocupado e humilhado, Obarixá foi até
Orunmilá fazer o jogo de Ifá, e ele o ensinou como conquistar,
apaziguar e vencer Odu, através de sacrifícios, oferendas e
astúcia.
"Obarixá e Odu
foram viver juntos. Ele então lhe revelou seus segredos e, após algum tempo, ela
lhe contou os seus, inclusive que adorava Egun. Mostrou-lhe a roupa de
Egun, o qual não tinha corpo, rosto nem tampouco falava. Juntos eles
adoraram Egun.
"Aproveitando
um dia quando Odu saiu de casa, ele modificou e vestiu a roupa de
Egun. Com um bastão na mão, Obarixá foi à cidade (o fato de
Egun carregar um bastão revela toda a sua ira) e falou com todas as
pessoas. quando Odu viu Egun andando e falando, percebeu que foi
Obarixá quem tornou isto possível. Ela reverenciou e prestou homenagem a
Egun e a Obarixá, conformando-se com a supremacia dos homens e
aceitando para si a derrota. Ela mandou então seu poderoso pássaro pousar em
Egun, e lhe outorgou o poder: tudo o que Egun disser acontecerá.
Odu retirou-se para sempre do culto de Egungun."
O conjunto
homem-mulher dá vida a Egun (a ancestralidade), mas restringe seu culto
aos homens, os quais, todavia, prestam homenagem às mulheres, castigadas por
Olodumarê através dos abusos de Odu. Também por esta razão é que
as mulheres mortas são cultuadas coletivamente, e somente os homens têm direito
à individualidade, através do culto a Egun.
(2)
Um dos Orixás funfun, isto é, Orixás que têm como
principal preceito o uso do branco nos ritos e nas oferendas; em algumas regiões
; Obarixá é adotado como um cognome de Oxalá.
Os textos litúrgicos aqui apresentados fazem parte do jogo de Ifá, no qual. seu senhor e oráculo, a divindade Orunmilá, nos ensina mitos e tradições que foram mantidos através do próprio jogo. Esses conhecimentos, transmitidos a todos oralmente, hoje se tornaram verdadeiras escrituras sagradas .
Através deles entendemos o porquê de certos ritos e preceitos usados e conservados no dia-a-dia dos cultos. Vários textos explicam o mesmo fato ou se complementam, e às vezes de forma diferente e aparentemente contraditória; mas isto é reflexo de se terem originado em diferentes regiões. De uma forma ou de outra, porém, chegam aos mesmos fundamentais conceitos religiosos.
(1) Atualmente, vários pesquisadores já registraram em livros as lendas colhidas oralmente entre os iniciados.
Os
mortos do sexo feminino são chamados de Ìyámi Agba (minha mãe
anciã) e cultuado como uma energia ancestral coletiva, representada por
Ìyámi Oxorongá. -
ORIGENS
"De quatro em quatro dias (uma semana iorubana), Iku (a Morte) vinha à cidade de Ilê-Ifé munida de um cajado (opá iku) e matava indiscriminadamente as pessoas. Nem mesmo os Orixás podiam com Iku.
"Um cidadão chamado Ameiyegun prometeu salvar as pessoas. Para tal, confeccionou uma roupa feita com várias tiras de pano, em diversas cores, que escondia todas as partes do seu corpo, inclusive a própria cabeça, e fez sacrifícios apropriados. No dia em que a Morte apareceu, ele e seus familiares vestiram as tais roupas e se esconderam no mercado.
"Quando a Morte chegou, eles apareceram pulando, correndo e gritando com vozes inumanas, e ela, apavorada, fugiu deixando cair seu cajado. Desde então a Morte deixou de atacar os habitantes de Ifé.
"Os babalawos (adivinhos e sacerdotes de Orunmilá) disseram a Ameiyegun que ele e seus familiares deveriam adorar e cultuar os mortos por todas as suas gerações, lembrando como eles venceram a Morte."
Egun é a terminação do nome de Ameiyegun, e é como hoje são conhecidos os ancestrais do seu clã (Egun ou Egungun). É a vitória da vida pós-morte: como no mito em que a vida venceu a morte, da mesma forma os Eguns se apresentam, hoje, cobertos de panos e portando um cajado.
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