quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Jóias Africanas

Quando os europeus tiveram contato pela primeira vez com a arte africana a consideraram “primitiva”, pois a escultura africana muitas vezes representava a forma humana, com distorções, tais como corpos alongados ou proporções exageradas. O que os europeus não entendiam era que isso não era devido ao artista africano ser inepto ou ingênuo. Na verdade, era completamente o oposto: os artistas africanos distorciam deliberadamente a sua arte para refletir o que eles percebiam como belo e para criar uma nova ordem que expressasse como eles sentiam que deveria ser o mundo deles. Atualmente, a arte africana teria sido considerada figurativa-abstrata, mas os europeus não tinham ainda nenhum conceito sobre esta forma de arte e, consequentemente, denominaram a arte africana como primitiva.
Nas línguas africanas não há uma única palavra para “arte”. Existem inúmeras palavras usadas para transmitir que algo é belo ou para se referir a um objeto que tenha sido produzido. O povo Bamana, um povo que vive no oeste da África, principalmente no Mali, mas também na Guiné, Burkina Faso e Senegal, possui duas frases para a palavra escultura, ambas traduzidas significam: “coisas para se olhar”. Para os africanos a idéia do que é um “artista” é completamente diferente do que um ocidental pensa sobre a mesma questão. Para eles, o artista não inicia um trabalho com a idéia de fazer algo agradável para se olhar, a idéia é criar uma peça que seja bem sucedida para realizar uma função religiosa, mágica ou econômica.
Além das esculturas em madeira e das máscaras outras peças muito significativas para a arte africana são as jóias. No Mali encontramos os colares de contas de vidro feitas à mão e, portanto, únicas, com que presenteiam as noivas no dia de seu casamento. As contas são multicoloridas e vêm em diferentes tamanhos e formas. Algumas são em forma de bulbo, outras são alongadas e achatadas, ou ainda em forma triangular. O que as torna tão interessantes, além da beleza, é que elas são originárias da europa do final do século XIX, início do século XX, e eram comercializadas na África. Todas as mulheres na África Ocidental usavam esses colares de contas de vidro, mas em Mali iniciou-se a tradição do uso desses colares especialmente no casamento.
As jóias também desempenham um papel relevante na vida do povo Dogon. Artisticamente, o povo Dogon têm recebido notoriedade por obras, tais como, as escadas tribais, as portas e janelas entalhadas e as máscaras. Mas produzem também colares como o da imagem abaixo. As contas e adornos de metal prateado são feitas de uma substância chamada “pó da ilha.” Este precioso metal semelhante à prata, é retirado no subsolo, refinado, apurado, moldado e, em seguida, cuidadosamente polido manualmente. Este é um colar que pode ser usado por homens e mulheres.
colar-dogon
Colar Dogon, Mali
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Colar de casamento de contas de vidro, Mali
colares de casamento senegal
Colar de casamento de contas de vidro, Senegal

Pintura corporal


Membros das tribos Surma e Mursi , localizadas leste da África Omo. São coloridas de brancos, vermelhos terra e amarelos , e misturadas com palhas, flores exóticas, gravetos e folhas. Para transforma em acessórios, os membros destas tribos usam uma flor ou raiz e um folha. E as pinturas corporais usam pigmentos extraídos de plantas, barro, pedras em pó e frutos. 

Arquitetura

A arquitetura afro-africana foi como representação de poder, teve um caráter utilitário, em vez de comunitário. Todos possuíam o mesmo tipo de casa, não como expressão de igualdade, mas de pertinência ao mesmo grupo. O povoado se protegia com uma muralha de barro, assim marcavam os limites da aldeia. Os materiais que eles usavam eram: Fibra seca tecidas até o barro ou uma combinação de vários.

Escultura

As esculturas são modeladas em argila, terracota, ouro e bronze, porém a madeira é um dos materiais mais usados. Nos séculos XII e XIII, em Ifé, os artistas conseguiram atingir a perfeição na arte do retrato em barro cozido e em bronze. Por a habilidade ser tão naturalista, inspirou a arte da Grécia Antiga.
No centro leste do continente africano, a etnia Makonde, que vive no sudeste da Tanzânia e no norte de Moçambique, também se destaca com 200 anos de história. Suas esculturas são figurativas e retratam animais e seres humanos. São produzidas pelo próprio povo, que se utiliza de uma madeira preta, o ébano, localmente chamado de mpingo; a dureza, a durabilidade e a cor fazem essa madeira perfeita para esculpir. Alguns artistas, depois das peças prontas, passam graxa de sapato para dar maior brilho. Essa arte é tanto tradicional como contemporânea, refletindo o seu passado tribal e também a vida urbana, utilizando seus mitos como inspiração.

 Máscaras

As máscaras são as formas mais conhecidas da arte africana. Representa a soma de elementos simbólicos e místicos, usadas em rituais e funerais. Os africanos acreditam no poder da absorção das forças mágicas dos espíritos, obtendo a cura de doentes, etc. As máscaras são confeccionadas em barro, marfim, metais, mas o material mais utilizado é a madeira. Para estabelecer a purificação e a ligação com a entidade sagrada, são modeladas em segredo na selva. Visitando os museus da Europa Ocidental é possível conhecer o maior acervo da arte antiga africana no mundo.

Música

Uma descrição geral da chamada música africana não seria possível dada a quantidade e variedade de expressões. No entanto, existem semelhanças regionais entre grupos desiguais, assim como as tendências que são constantes ao longo de todo o comprimento e a largura do continente africano. A música da África é tão vasta e variada como as muitas regiões, nações e grupos étnicos do continente.

 Dança

Nas danças africanas, há o hábito de se ter os pés nus em contato direto com a terra, com o intuito de absorver as energias deste lugar. Cada parte do corpo movimenta-se com um ritmo diferente. O corpo pode ser comparado a uma orquestra que, tocando vários instrumentos, harmoniza-os num único som. Entre as danças, destacam-se: lundu, batuque, ijexá, capoeira, coco, congadas e jongo.

A dança originou-se na África como parte essência da vida nas aldeias. ela acentua a unidade entre seus membros, por isso é quase sempre uma atividade grupal. Em sua maioria, todos os homens, mulheres e crianças participam da dança, batem palmas ou formam círculos em volta dos bailarinos. Em ocasiões importantes, danças de rituais podem ser realizadas por bailarinos profissionais.

 Rituais religiosos

Tambores são tão ancestrais quanto o próprio homem.

Os tambores são utilizados desde as mais remotas eras da humanidade. Acredita – se que os primeiros tambores fossem troncos ocos de arvores tocados com as mãos ou galhos. Posteriormente, quando o homem aprendeu a caçar e as peles de animais passaram a ser utilizadas na fabricação de roupas e outros objetos, percebeu – se que ao esticar uma pele sobre o tronco, o som produzido era mais poderoso. Pela simplicidade de construção e execução, tipos diferentes de tambores existem em praticamente todas as civilizações conhecidas. A variedade de formatos, tamanhos e elementos decorativos dependem dos materiais encontrados em cada região e dizem muito sobre a cultura que os produziu. São típicos nos cultos afros – brasileiros; na dança, nos pontos cantados, no transe. A musica e a dança sempre foram os principais feradores dessa comunicação com os Deuses.
Mesmo nas religiões mais antigas, o toque dos tambores também foi utilizado não somente para o culto às divindades, mas também como forma de manter contato com os espíritos dos mortos.

Tecidos e modas Afro Africana

Vestuário

O vestuário do africano ocidental, desde a fabricação do tecido à confecção e uso está envolvido em uma rede de simbolismo inerente à vida do africano na sociedade. O corpo representa a força vital, a materialidade do espírito e, portanto o vestuário, pelo seu contato íntimo com o corpo exerce ações sobre seu portador. Considera-se o material com que é feito, os elementos que o constituem, forma e cor. O vestuário é uma linguagem, fortalece a palavra, visto a importância da oralidade na cultura africana. A interdependência do vestuário e do corpo caracteriza o traje como um objeto indissociável de seu suporte o corpo o que confere existência e significado ao vestuário.
Cada momento da vida social africana é marcado pelo uso de roupa determinada como, por exemplo, o nascimento, a iniciação na vida adulta e a morte, o bebê usa ao redor da cintura um fio de algodão, que é ao mesmo tempo uma proteção solidifica sua coluna vertebral e uma prefiguração do que usar mais tarde. Enquanto que, durante o período que cerca a iniciação na vida adulta, circuncisão nos meninos e a excisão nas meninas, os adolescentes trajam vestes especiais. Para as meninas é constituída de um pano cru, tinto de preto com motivos geométricos, que deve ser atado à cintura. Os meninos devem usar um bubu de qualquer cor. Tanto os meninos como as meninas devem usar este traje até a cicatrização total da cirurgia. É hábito dos africanos em geral confeccionar, para festas típicas ou funerais, trajes com tecidos da mesma padronagem e cor manifestando a participação e solidariedade do grupo social, com uso de um "uniforme". As mulheres usam o conjunto tradicional, constituído de blusa e saia de pano amarrado ma cintura; os homens usam uma calça de modelo europeu e uma camisa do mesmo pano usado pelas mulheres.
A cor branca simboliza a luminosidade do Deus maior, Sua ação se concretizando na difusão de sua palavra e de sua luz, nomeando e classificando as coisas, que recebem, assim, a força vital, isto é, passam a existir. Por isso, no candomblé, branco é a cor de Oxalá.

Tecido

Tradicionalmente o tecido é fabricado em tear artesanal, construído com estacas de madeira, formando um abrigo rudimentar. Na maioria dos casos construídos pelos os próprios tecelões. Atualmente grande parte do tecido é produzida industrialmente. Os fios empregados são a lã, a seda, o algodão e fibras de folhas de palma de ráfia, dependendo da região produtora. O tecelão se ocupava de todas as atividades envolvidas na confecção do vestuário: tecelagem costura e bordado, todas essas tarefas eram executadas manualmente.
Enquanto a fiação é uma atividade eminentemente feminina, em toda a África, a tecelagem é uma ocupação masculina. Entretanto em algumas áreas (Nigéria e Sudão) as mulheres também tecem principalmente o algodão. Mas mesmo nos lugares onde ambos os sexos tecem cada um usa um tipo diferente de tear. Os teares são de dois tipos básicos, de acordo como os jogos de urdidura (comprimentos do fio e montagem no tear) são atados a uma liça simples ou dupla. Cada tipo tem mais de uma versão, especialmente a única liça de qual há várias versões verticais e horizontais nas diferentes regiões de África. Os tecelões trabalham ao ar livre, em grupo, sob a sombra das árvores ou sob pequenas coberturas.
Esses teares produzem faixas de tecido estreitas, com dez a vinte centímetros de largura. As faixas de tecido produzidas pelo tear, recortadas e costuradas, permitem confeccionar os trajes tradicionais.

Jóias, colares e adereços Afro- Africana

 Colares

Vários são confeccionados em metal. Com elos, tiras ou outros formatos. Eles são chamados de “guias” e mais usados entre os adeptos da umbanda. Levam também um símbolo que pode ser uma estrela, um machado, santos populares entre outros. Alguns deles são ainda adornados de contas vermelhas, pretas e brancas. São objetos de proteção para o corpo. Histórias antigas contam que o correntão de elos de ouro usado pelas escravas, também chamado de correntão cachoeirano, era fruto de muitas noites de amor com os senhores português. Conta-se que enfeitiçavam os homens para que lhes dessem suas alianças em troca dos favores sexuais. Cada elo era uma aliança portuguesa.

 Fios de Contas

Conta – estrela principal das peças de adorno africanas. É a designação de tudo o que passe por um fio com o objetivo de envolver o corpo. Os famosos “fios de contas” são muito utilizados. Seu sentido é fundamentalmente religioso. São contas enfiadas, originalmente, em palha-da-costa. Atualmente são usados os fios de náilon, cordonê ou outros. Seu colorido é fascinante. Podem representar uma hierarquia; um rito de passagem; identificar deuses, atividade desenvolvida ou mesmo nações. O fio de contas marca um compromisso cultural e ético entre o ser humano e o divino. É canal de comunicação entre o homem e seu deus tutelar. Também chamados de “colares litúrgicos”. O relacionamento estabelecido com o mundo “mágico” só é possível enquanto o indivíduo integra uma nação, uma tribo. Os fios de conta também se prestam a essa finalidade na medida em que associam esse indivíduo a um grupo, a um orixá.
- Fios múltiplos, suas montagens e cores simbolizam deuses específicos.
- Xubetas ou Mocãs: fios de palha-da-costa ou buriti trançados com miçangas e búzios.
- Rungeve: Feito de miçangas marrons, corais e seguis (um tipo de conta).
- Diloguns: fios múltiplos. Conjunto de 7, 14 e 21. São unidos por uma firma (conta cilíndrica).
- Brajá ou Ibajá: longos fios montados de dois em dois, em pares opostos. Podem ser usados a tiracolo e cruzando o peito e as costas. É a simbologia da inter-relação do direito com esquerdo masculino e feminino, passado e presente. Quem usa esse tipo de colar é um descendente dessa “união”.
- Cor
Cores muito usadas são o vermelho, preto e branco. A facilidade na obtenção de pigmentos naturais nessas cores estimulou seu uso, seja em pinturas corporais, em tecidos ou mesmo nos objetos de adorno. Além disso, têm forte ligação com o homem. O vermelho está relacionado ao sangue, ao fogo, conseqüentemente à luta, à força. Branco e preto são dia e noite, homem e mulher, vida e morte. O branco também pode ser visto como representação da ancestralidade e o preto como elemento germinal da terra. O segui, conta azul de forte significado africano, antigamente só era usada por reis.


 Material

Os mais valorizados são os naturais, “verdadeiros”, no entanto a situação econômica obriga o uso de materiais alternativos e sintéticos. Eles são permitidos nos cultos, pois sua principal função aí, a de simbolizar o divino, está devidamente adequado visto que as cores são rigorosamente obedecidas.
Pode-se ver o uso de vidro, massas, búzios, metais, marfim, chifre, madeira, cerâmica, coral entre outros. Mesmo os materiais reciclados estão ganhando espaço no Candomblé. Materiais nobres, como as bolas de filigranas de origem luso-muçulmanas, são patrimônio das africanas destinado a seus descendentes e amigos queridos. A impressão é de que não apenas o valor financeiro é levado em conta, mas também a crença numa “energia” que fica nas peças e que possa ser “distribuída”. Também tem as contas com que são feitos os laguidibás, de chifre ou casca de coco, sempre na cor preta.

 Penteado Afro-africana

A tradição dos cabelos trançados é originária de África e poderia indicar significados variados (estado civil, status social, origem, religião, etc.). Hoje em dia os penteados trançados continuam a ser mais utilizados pelos africanos ou afro-descendentes, no entanto, sendo a nossa sociedade cada vez mais multicultural, esta técnica continua cada vez mais a ganhar adeptos entre os jovens de diversas culturas. Para além de ser uma alternativa ao uso de tratamentos químicos, os penteados com tranças são bastante artísticos e podem ser feitos em cabelos crespos ou lisos. São tranças feitas junto ao couro cabeludo que permitem a criação de vários desenhos, tranças grossas ou finas, com o cabelo natural e com aplicação de outros fios, naturais e artificiais. Os penteados afro descendentes fazem parte do legado cultural que a África nos presenteia. Com seus valores sociais, hierárquicos, míticos e religiosos. Pelas releituras feitas de maneiras sofisticadas ou pelos usos dos modelos tradicionais, os penteados são usados por homens e mulheres de todos os círculos culturais e sociais. Um reflexo da globalização que tem sua origem na triste história da escravidão do povo africano.
TurbantesChamados em iorubá de ojá, os torços compõem o traje das baianas, babalorixás e ogans, além de estarem presentes nas vestimentas representativas de alguns orixás. Invadiram o mundo da moda nos anos 30, através da coleção do estilista francês Paul Poiret e, até hoje, são frequentemente vistos nas passarelas das grandes semanas de moda do mundo e nas ruas de grandes cidades.
 
 
 
ChangrimAssim são chamadas as sandálias de ponta de couro branco lavrado. Elas foram adaptadas com cores diferentes e ganharam as ruas, principalmente de Salvador, onde é facilmente vista nos pés de homens e mulheres.
Adaptação de sandália changrim em couro trançado colorido

Arte no Continente Africano

O continente africano é composto por culturas diferentes. Cada uma possui seu idioma próprio, tradições e formas artísticas distintas. O deserto do Saara atuou e atua como uma divisa natural entre o norte da África e o resto do continente. Há, ainda, troca culturais entre as duas zonas, que foram facilitadas pelas rotas de comércio que atravessam a África desde a Antiguidade. Os registros históricos e artísticos demonstram esse intercâmbio cultural. Assim, a arte africana é o resultado de um conjunto de manifestações artísticas produzidas por todos os povos da África ao longo da história, iniciando-se no período pré-histórico, nas formas mais antigas, que são as pinturas e gravações em pedra, na região do Saara.

Nesse continente, o objeto de arte é visto como funcional, criado para ser utilizado, ligado ao culto dos antepassados, sempre voltado ao espírito religioso e ao uso diário, como os ornamentos e tecidos.

A presença do tema da figura humana mostra a preocupação com os valores étnicos, morais e religiosos. Outros temas retratados refletem o cotidiano dos povos como, por exemplo, a religião, animais da floresta, cenas das tradições do povo.

No norte da África, predominam as características islâmica na arte, assim como a influência cultural e artística do Egito Antigo.

Atualmente, com o desenvolvimento dos transportes e das comunicações, várias formas de arte têm sido divulgadas por entre as diversas culturas africanas. As principais são:

Escultura

Máscara
Música

 Música Contemporânea na África do Sul
 Influências da Música Africana

Dança
Pintura

Pintura Corporal
Pintura Mural
Pintura em Tela
Influência da Arte Visual Africana

Arquitetura
Grafismo e Simbologia


A arte africana chegou ao Brasil com os escravos, que foram trazidos para cá pelos portugueses durante os períodos colonial e imperial. Chegando aqui, os elementos artísticos africanos fundiram-se com os indígenas e portugueses, para gerar uma nova arte, a afrobrasileira.


Escultura
As esculturas são modeladas em argila, terracota, ouro e bronze, porém a madeira é um dos materiais mais usados. As esculturas mais antigas são da cultura Nok (cerca de 500 a. C.), no território onde atualmente se encontra a Nigéria. Nos séculos XII e XIII, em Ifé, os artistas conseguiram atingir a perfeição na arte do retrato em barro cozido e em bronze. Essa técnica também foi passada para Benin. A habilidade técnica representou-se de forma tão naturalista que, acredita-se, inspirous a arte da Grécia Antiga.

Figura


Cabeça, provavelmente de um primitivo oni, de Ife, Nigéria.

Sécs. XIII - XIV. Bronze. Alt., 36 cm.

No centro leste do continente africano, a etnia Makonde, que vive no sudeste da Tanzânia e no norte de Moçambique, também se destaca com 200 anos de história. Suas esculturas são figurativas e retratam animais e seres humanos. São produzidas pelo próprio povo, que se utiliza de uma madeira preta, o ébano, localmente chamado de mpingo; a dureza, a durabilidade e a cor fazem essa madeira perfeita para esculpir. Alguns artistas, depois das peças prontas, passam graxa de sapato para dar maior brilho. Essa arte é tanto tradicional como contemporânea, refletindo o seu passado tribal e também a vida urbana, utilizando seus mitos como inspiração.


Ujamaa (família) Makonde. Escultor: Ntaluma

Escultura africana.
Ujamaa (família) Makonde. Escultor: Ntaluma
Estilo muito popular é o "Shetani", o qual representa árvores de famílias, mostrando a tradição da união familiar; são várias pessoas esculpidas em um só pedaço de madeira.



Detalhe de uma escultura africana.

Detalhe de uma escultura Makonde, no estilo "Shetani"
(várias pessoas esculpidas em um só pedaço de madeira, mostrando a união familiar).



Escultor africano Ntaluma.

Ntaluma é um escultor moçambicano que nasceu em Nanhagaia,
distrito de Nangade, província de Cabo Delgado, Moçambique, em 1959.
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Máscara
As máscaras são as formas mais conhecidas da arte africana. Representa a soma de elementos símbólicos e místicos, usadas em rituais e funerais. Os africanos acreditam no poder da absorção das forças mágicas dos espíritos, obtendo a cura de doentes, entre outras coisas.

As máscaras são criadas a partir do barro, marfim, metais, mas o material mais utilizado é a madeira. São confeccionadas em segredo na selva, para conseguir o estabelecimento da purificação e da ligação com a entidade sagrada.



Máscara africana de madeira e ráfia.

Máscara - casco chokwe (Angola). Data ignorada.
Material: madeira, rafia, fibras. Dimensões: 32x32 cm.



Máscara africana de marfim.

Máscara Pingente de Benin, Nigéria.
Provavelmente séc. XVI. Marfim. Alt., 19 cm. Metropolitan Museum of Art.

As máscaras e cabeças da África Ocidental são obras-primas da arte negra e exibem uma enorme variedade criativa. O contraste entre as máscaras simbólica e formal e a famosa escultura de Ife (Cabeça, provavelmente de um primitivo oni, de Ife, Nigéria.Sécs. XIII - XIV. Bronze. Alt., 36 cm), talvez se deva às influências mediterrâneas.


Música
É impossível uma descrição geral da chamada música africana, devido à quantidade e à variedade de expressões. No entanto, existem semelhanças regionais entre grupos desiguais, assim como as tendências que são constantes ao longo de todo o continente africano.

Para facilitar a compreensão das múltiplas expressões musicais, conforme os ritos e costumes de cada povo,
apresenta-se aqui duas das diferentes variações:

I - Os Pigmeus da África Central, conhecidos dos ocidentais pela sua estatura, são caçadores-colecionadores e constroem suas habitações desde os tempos remotos, em florestas tropicais densas e chuvosas. Na República da África Central, os Pigmeus Ba-Benjellé é um clã da tribo Pigmeia Aka.

Na cerimônia para Ejengi, o mais famoso de todos os espíritos da natureza, onde aparece a arte da pintura corporal fosforescente, a música consiste no canto das mulheres acompanhada das percussões que conduzem dias e dias de danças.



Grupo de pigmeus na África.

Pigmeus, integrantes de etnia com estatura inferior a 1,50 m,
que vivem em alguns países da África.

II - O Estado independente da Eritreia, localiza-se ao norte da Etiópia do leste do continente africano. Possui quatro milhões de habitantes, dentre os quais compreendem nove grupos étnicos distintos, cada um com a sua própria cultura e música.

Os Rashaidas são um pequeno grupo de nómades de língua árabe que vivem no noroeste do deserto da Eritreia, que transportam facilmente as tendas, enquanto viajam nos seus camelos. São muçulmanos radicais de profundas convicções religiosas. Tradicionalmente, criam camelos em pequenas pastagens junto dos oásis. Sua música consiste em canções acompanhadas por palmas e bater de pés, substituindo as percussões.



Mulher do grupo nômade Rashaida na África.

Os Rashaidas possuem seu próprio estilo de dança,
com as mulheres ostentando véus multicoloridos e máscaras decoradas chamadas "Arusi".


Música contemporânea na África do sul
Há uma grande diversidade na música da África do Sul. Muitas músicas são adaptadas aos estilos europeus e divulgadas em inglês, uma das línguas faladas no país. Porém, alguns grupos musicais costumam manter os ritmos do país, bem como a língua de sua cultura, o africanês. O estilo mais conhecido é o kwaito, desenvolvido durante o apartheid quando muitos músicos negros cantavam em inglês, passaram a cantar em línguas africanas tradicionais, hoje preservado por vários músicos, como o Quarteto de Cordas Soweto que executa música clássica com "ginga" africana.

Na África do Sul é realizado o Cape Town Away (distante Cidade do Cabo), um festival internacional de jazz, que acontece desde o ano de 2000.



Soweto Quarteto de Cordas da África do Sul.

O Quarteto de Cordas Soweto executa música clássica com "ginga" africana.


Influências da Música Africana
Babatunde Olatunji nasceu a 7 de Abril de 1927 em Ajido, Lagos, na Nigéria, e morreu a 6 de Abril de 2003, nos Estados Unidos. E foi nos Estados Unidos que ele passou a principal parte de sua carreira, iniciada nos anos 50, quando fez amizade com um dos maiores gênios do jazz, John Coltrane, e com o A&R John Hammond, da Columbia Records, editora para a qual começou a gravar em 1957 (o seu álbum «Drums of Passion» é um clássico).

Babatunde fundou o Olatunji Center for African Culture, em Harlem, Nova Iorque, e foi o guru de inúmeros bateristas, percussionistas e outros músicos (de Bob Dylan a Santana, de Mickey Hart a Airto Moreira, de Quincy Jones a Stevie Wonder, de Max Roach a Muruga Booker), Olatunji foi também um activista dos direitos civis nos EUA, ao lado de Martin Luther King e, depois, de Malcolm X.



Foto de musico africano.

Babatunde Olatunji nasceu a 7 de Abril de 1927 em Ajido, Lagos, na Nigéria,
e morreu a 6 de Abril de 2003, nos Estados Unidos da América.
Mito da música africana e do que a música africana tem de mais ancestral, as percussões.


Dança
Nas danças africanas, há o hábito de se ter os pés nus em contato direto com a terra, com o intuito de absorver as energias deste lugar. Cada parte do corpo movimenta-se com um ritmo diferente. O corpo pode ser comparado a uma orquestra que, tocando vários instrumentos, harmoniza-os num único som. Entre as danças, destacam-se: lundu, batuque, ijexá, capoeira, coco, congadas e jongo.



Imagem de tribo africana dançando.

Grupo de mulheres africanas dançando.



Pintura Corporal
Dentre as pintura corporais, aqui são citadas as composições elaboradas pelos membros das tribos Surma e Mursi, localizadas no vale leste da África Omo. São coloridas de amarelos, brancos e vermelho terra, misturadas com gravetos, palhas, flores exóticas e folhas. Para os membros destas tribos, uma folha, uma flor, ou raíz, são facilmente transformadas em acessórios e depois enaltecida com as pinturas corporais, que são feitas de pigmentos extraídos de pedras em pó, plantas, frutos e barro.



Pintura corporal de uma tribo do continente africano.

Foi fazendo inúmeras viagens, que o fotógrafo Hans Silvesters registrou a beleza das
tribos Surma e Mursi. As fotos foram reunidas pelo fotógrafo no livro Natural Fashion
(Moda Natural, em tradução livre), lançado pela editora Thames & Hudson.


Pintura Mural
Os Ndebele é uma das menores tribos da África do Sul, o termo Ndebele se refere a um grupo étnico disperso entre o Zimbábue e a província de Transvaal a nordeste de Pretória. Ao contrário de muitas outras tribos da África do Sul, conseguiram preservar as suas tradições ancestrais ao longo dos séculos. São chamados de “povo artista” por fazerem colares e ornamentos coloridíssimos de miçangas.



Pintura de uma mulher africana com muitos colares.

As mulheres lembram as "mulheres girafa" da Tailândia,
pois usam colares em forma de aro no pescoço, bem como nas pernas e braços.



Vestimenta das mulheres de uma tribo sulafricana.

Fundo: Pintura Mural.
As mulheres andam com cobertores coloridíssimos amarrados nas costas.

Apesar de ser uma sociedade patriarcal, a herança artística é passada de mães para filhas, são transmitidos os padrões tradicionais dos Ndebele. No século XIX esta tradição alargou-se dos têxteis às pinturas murais decorativas que são também executadas apenas pelas mulheres Ndebele.

As pinturas das casas deste povo, sejam redondas (parecendo ocas) ou quadradas, sempre com teto de palha, expressam-se através das cores gráficas e dos desenhos geométricos coloridíssimos. Os utensílios e adornos que as mulheres usam, possuem significado religioso e místico.



Pintura mural nas casas de tribos sulafricanas.

Pintura Mural.
Desenhos geométricos coloridíssimos nas fachadas das casas, sempre com o teto de palha.

A técnica ancestral (à mão livre, com linhas e ângulos geométricos coloridos) de pintar os muros das residências, já viajou o mundo. A pintura das fachadas e muros das casas é um privilégio exclusivo das mulheres Ndebele. A pintura é a forte expressão individual da identidade das mulheres e o que diferencia uma mulher das outras é o estilo da pintura, o motivo, a composição e a escolha das cores. Existem dois tipos de pintura: o tradicional (ikghuphu), que usa padrões geométricos, e muitas vezes uma camada superficial de barro misturado com fezes de gado, onde com os dedos elas desenham linhas verticais, horizontais e diagonais; e o moderno, que utiliza tintas industriais e um design mais complexo, além de elementos abstratos e figurativos.

A arte para os Ndebele, como para a maioria dos povos africanos, tem um significado mágico-religioso e um caráter cerimonial. Pelo motivo dessa arte possuir preocupações óbvias com a estética em si e estarem expostas em murais, questiona-se o caráter utilitarista dado à ela pelos ocidentais.

Pintura em tela
A Artista sul-africana Esther Mahlangu de 75 anos, nascida em 1935, pertence à comunidade Ndebele de Gauteng, a norte de Pretoria. Pioneira em colocar as cores e formas Ndebele em telas. Desenha à mão livre, sem medições ou esboços utilizando tintas brilhantes. À primeira vista puramente abstractas, as composições são construídas com base num complexo sistema de sinais e símbolos. A sua arte é fortemente marcada pelo estilo original de sua tribo localizada na África do Sul, que emprega pinturas especiais nas paredes através de formas geométricas e multicoloridas, além de trajes confeccionados a partir de miçangas.

Em 1989, quando tinha 55 anos, foi a primeira mulher de sua tribo a cruzar o oceano, a transpôr os murais para telas e levar as convenções do seu trabalho a um público mais vasto. Isso aconteceu, porque viajou até Paris para criar os murais da exposição "Magiciens de la Terre", e recebeu encomendas de trabalhos para museus e outros edifícios públicos como o Civic Theater de Johannesburgo, para a BMW, entre outras.

Conquistou a Europa com sua pintura colorida e logo caiu nas graças de gente como Andy Warhol, Alexander Calder e Frank Stella. Mais recentemente, a BMW encomendou um carro customizado com os motivos geométricos típicos dos Ndebele.

No Brasil, os Ndebele já ficaram conhecidos através da revista MAG! África Pop (lançada em junho de 2006) e do estilista Alexandre Herchcovitch, que dedicou uma coleção inteira ao assunto através de releituras pop das estampas. Na ocasião, Herchcovitch firmou parceria com a Melissa e desenvolveu um modelo de sandália inspirado na tribo.

Influência da Arte Visual Africana
A diversidade existente na arte africana é objeto de inspiração para muitos movimentos artísticos contemporâneos da América e da Europa. Artistas do século XX, admiraram o abstracionismo e o naturalismo dessa arte. Pablo Picasso (1881 -1973) nunca foi á Africa, no entanto produziu obras como máscaras e esculturas com clara influência da arte africana. Picasso, por volta de 1905, tomou conhecimento da arte africana e aí surgiu nitidamente a inspiração para o movimento cubista.

Com o desenvolvimento das escolas de arte e arquitetura nas cidades africanas, os artistas contemporâneos são incentivados a trabalhar com novos meios, tais como cimento, óleo, pedras, alumínio.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

José Roberto Teixeira Leite
Não se aplicam à chamada arte indígena – que no caso do índio brasileiro pode-se definir como fazer com maestria, superando os limites do meramente utilitário -, os mesmos conceitos que regem a arte ocidental, como por exemplo o de arte pura, ou arte pela arte, até porque a arte indígena, e nela a pintura corporal, para muito além do conteúdo estético possui finalidade mágico-simbólica, vinculada que está ao universo mítico-cosmológico da comunidade, além de, entre outras funções, servir de “carteira de identidade” de quem a exibe, ao revelar dados sobre sua etnia, posição e prestígio social, sexo, idade, filiação a esse ou àquele clã, estado civil, se participa de algum ritual, se se preparou para a guerra etc. É num tal contexto que adquire pleno significado a explicação dada no longínquo Séc. XVIII a um missionário por um índio que, indagado por que se pintava, respondeu-lhe que para se diferenciar dos bichos; explicação idêntica à dos Wayana atuais, que pintam seus corpos, dizem, para não se assemelharem aos macacos. Aqui cabe um parêntese: não se deve falar em arte indígena, no singular, porém em artes indígenas porque estilos, formas e padrões ornamentais variam de povo para povo, do mesmo modo como há povos que sedestacam de maneira especial na cerâmica, outros na plumária, outros ainda na escultura em madeira, na cestaria ou – caso que nos interessa no momento – na pintura corporal.
Muito embora também utilizada em abanos, bancos, burdunas, remos, redes, cerâmicas e demais produtos que constituem sua cultura material - pois todos essas coisas possuem uma “pele”, e por conseguinte precisam ser ornamentadas -, é no corpo humano que o índígena encontra o suporte por excelência de sua pintura, “tela onde os índios mais pintam, e aquela que pintam com mais primor” (Darcy Ribeiro), nele aplicando todo um repertório de padrões decorativos – meandros, gregas, círculos, triângulos, pontilhados, caprichosas estilizações geométricas calcadas na fauna e na flora, sinais indicativos de caminho, direção etc. Se no passado, como conservou a tradição oral, a pintura corporal era domínio dos kudina, homens que assumiam a condição de mulheres e até se casavam com outros homens, e aos quais é atribuída a invenção de vários padrões até hoje em uso, na atualidade o ofício é geralmente – mas não exclusivamente - desempenhado por mulheres, algumas das quais ganharam notoriedade – caso daquela Anoã,uma pintora Kadiwéu que Darcy Ribeiro ainda conheceu, muito idosa, cercada do respeito da comunidade.
Os Kadiwéu são geralmente tidos como os melhores pintores indígenas, e suas pinturas corporais já no Séc. XVI causavam admiração aos europeus, a ponto de terem sido reproduzidas em xilogravuras alemãs daquela época; mas inúmeros outros povos indígenas se destacaram ou ainda se destacam nessa atividade, mesmo porque, entre os 227 que ainda resistem, muitos são os que a praticam. Infelizmente, o contacto cada vez mais freqüente com o homem branco tem repercutido negativamente na pintura corporal (como de resto nas demais artes indígenas), a ponto de padrões originariamente destinados a adornar corpos humanos serem agora pintados sobre papel, com tintas industriais, e vendidos por alguns reais a turistas; sem falar nas oficinas e nos concursos de pintura corporal volta e meia organizados na maioria dos estados brasileiros onde vivem povos indígenas.
As cores empregadas na pintura corporal são de origem vegetal, e se reduzem basicamente ao vermelho, obtido do urucum; ao preto,fornecido pelo sumo do jenipapo misturadoa fuligem; ao branco, da tabatinga, e com menor freqüência ao amarelo, extraído do açafrão. Sua aplicação faz-se com auxílio de gravetos, taquaras, com os dedos ou, em certas sociedades, mediante carimbos, feitos com caroços de frutas partidos ao meio e mergulhados na tinta.
Elencamos em seguida alguns povos indígenas cuja pintura corporal, pelas mais diferentes razões, merece menção especial.
Araweté. Os Araweté (ou Bïde = nós, seres humanos, em oposição a awi, os outros, os inimigos), habitantes do Sul do Pará, não são mais de 300 na atualidade. Constantemente ameaçados por belicosos vizinhos ou pelo homem branco, o que os levou no passado a sucessivos deslocamentos, é compreensível que sua cultura material seja limitada. Pintam cabelos e corpo com o vermelho do urucum, e no rosto traçam em preto uma linha horizontal sobre as sobrancelhas, uma vertical de alto a baixo no nariz e duas diagonais que vão do lóbulo da orelha à comissura labial.
Asurini. Os Asurini (= vermelhos) totalizam hoje uns 400 indivíduos, e vivem no Tocantins. Utilizam em sua pintura corporal motivos ornamentais estilizados, inspirados na natureza – cipó, feijão graúdo, pata de jaboti, rabo de macaco, cangote de onça pintada etc. - ou seres míticos, como Anhyaga Kwasiat, que foi quem lhes teria revelado os desenhos. Conforme se destine a ornar determinada parte do corpo, a pintura recebe nome específico; assim, a da perna chama-se tamaki, a da cabeça kuaipai etc.
Bakairi. São hoje cerca de 1000 e vivem em Mato Grosso. Homens e mulheres costumam pintar seus corpos com jenipapo, urucum e tabatinga em ocasiões especiais, como o casamento, a primeira menstruação ou a morte, bem como no início da colheita do milho, na cerimônia de perfuração da orelha etc. Suas máscaras, em número de 23, cada uma dedicada a um animal, são pintadas com os mesmos motivos.
Bororo. Entre os Bororo, que vivem em Mato Grosso e hoje totalizam cerca de 1.000 indivíduos, a pintura corporal representa um elo de ligação entre o mundo dos vivos e o dos mortos, e só pode ser usada com autorização do tuxaua, em ocasiões especiais. Tem tríplice finalidade: ornamentar o corpo, evitar doenças e afastar os maus espíritos. Durante os rituais, os que a recebem representam o espírito dos mortos ou dos animais. Quanto aos motivos ornamentais, são estilizações de formas naturais, encontradas na fauna e na flora.
Guajajara. Vivendo na região central do Maranhão, os Guajajara (“povo do cocar”), ou Tenetehara (“seres humanos verdadeiros”), hoje em número superior a 13.000, sofreram em contacto com os brancos um processo de aculturação quase total, a ponto de terem praticamente abandonado seus usos e costumes tradicionais, a pintura corporal inclusive, para somente a partir de 1970, graças aos esforços da FUNAI, voltarem a utilizá-la por ocasião de festas e rituais.
Kadiwéu. Os padrões ornamentais utilizados em sua pinturacorporal pelos Kadiwéu de Mato Grosso do Sul (hoje reduzidos a menos de 2.000 indivíduos)consistem em espirais, curvas e contra-curvas, cruzes, losangos, volutas etc. aplicados no rosto, e somente nele, e de motivos geométricos inspirados na Natureza, no corpo e apenas nele. No passado, os nobres pintavam apenas a testa, reservada aos “plebeus” a pintura de todo o corpo. Entre todos os indígenas brasileiros, os Kadiwéu destacam-se até hoje como os melhores pintores.
Karajá – Divididos em três subgrupos: o Karajá propriamente dito, que é o mais numeroso, o Javaé e o Xambioá, que distribuídos por 29 aldeias totalizavam na atualidade pouco menos de 3.000 indivíduos, os Karajá - ou Iny (“nós”), como se auto-denominam -, habitam uma vasta área dos Estados de Tocantins, Goiás e Mato Grosso, ao longo dos rios Araguaia e Javaé, nela incluída a Ilha do Bananal. Na sociedade Karajá a pintura desempenha papel de relevo, não só a ornamental, com que enfeitam sua cerâmica utilitária ou figurativa (os famosos licocós), como sobretudo a corporal. Num e noutro casos os padrões ornamentais são constituídos por linhas horizontais ou verticais que ora se aproximam ora se afastam ou se entrecruzam, entremeadas de pontos, representando partes fortemente estilizadas de corpos de animais (cobra, peixe, tartaruga etc., nunca o animal inteiro). Tais padrões, mais de uma centena, praticamente indistinguíveis a olhos não-índios, não são aplicados aleatoriamente, sendo seu uso determinado por fatores como idade, sexo ou posição social. Assim, há padrões só reservados aos chefes, outros aplicáveis apenas a artefatos, e outros ainda utilizáveis em situações especiais. Pernas e braços recebem pinturas à base de listas, faixas e pontos; mãos, pés e rosto, padrões extraídos à fauna. Quando nasce uma criança Karajá, seu corpo, após banhado, é recoberto de urucum; aos 10, 12 anos, na cerimônia iniciática do hetohoky (“casa grande”), o menino é pintado com a tinta preta azulada do jenipapo e se torna um jyre; atingindo a puberdade, o adolescente recebe na face dois círculos pintados a jenipapo e carvão, que no passado recobriam uma dolorosa escarificação feita com o dente do peixe-cachorro.
Kaxinawá. Costumam pintar seus corpos por ocasião das grandes festas, como o “batismo” dos legumes e o das bananas. Os padrões ornamentais – mais de 50 – derivam de formas da fauna: jibóia, jacaré, coruja, lagarto etc. etc.
Maku. Os Maku, habitantes da região fronteiriça entre o Amazonas e o Peru, possuem cultura material rudimentar. Na verdade, suas canoas, cerâmica, cestaria e pintura corporal são copiadas das dos povos seus vizinhos, como os Tukano e os Arawak.
Maxakali. Nada melhor para explicar o papel da pintura corporal entre os Maxacali de Minas Gerais do que esse pequeno texto de um deles, Rafael Maxakali, explicando o namoro e o casamento entre seu povo: “Os Maxakali dançam, brincam, nadam e se pintam com urucum e jenipapo para ficarem bonitos e namorar. Mas como eles namoram? Os espíritos saem para cantar e dançar e cantam bonito. Então dançam com as mulheres. Mas aqueles (aqueles dois) no cantinho estão brincando e namorando também. Também namoram quando estão nadando, pintam o rosto, a perna e o braço com urucum, pintam-se para ficar bonitos”.
Panará. Os chamados “índios gigantes”, cerca de 200 indivíduos cujo habitat atual localiza-se entre Mato Grosso e o Pará, descendem dos antigos Cayapó do Sul, dizimados pelos bandeirantes no Séc. XVIII e quase definitivamente extintos em começos do Séc. XX. Não mais possuindo sua própria pintura corporal, os Panará adotaram em época recente a dos povos seus vizinhos, num curioso processo de apropriação cultural.
Timbira. Esse nome se aplica a sete sociedades indígenas localizadas no Maranhão e no Tocantins: Apanyekrá, Apinayé, Ramkokamekra-Canela, Gavião do Oeste, Krahô, Krinkati e Pukobyê. Além de suas festividades e rituais, durante as quais pintam os corpos com os padrões e nas cores que caracterizam os diferentes clãs, todos esses povos cultivam a corrida de toras, que não faz parte de nenhum ritual de iniciação ou pré-nupcial, como se pensava, mas é, isso sim, uma espécie de esporte nacional Timbira. Para a realização da corrida de toras os membros da comunidade dividem-se em grupos, segundo sua pintura, ou em sociedades de festa; assim os Katám (vermelhos) enfrentam os Vanmégn (pretos), entre os Apinayé de Tocantins, enquanto uma intrincada tabela opõe Patos, Gaviões, Jaguares, Cutias, Máscaras, Peixes e Palhaços, entre os Ramkokamekra-Canela do Maranhão - e para só ficar nesses exemplos. As toras, obtidas de troncos de buriti e pintadas pelas mulheres de cada grupo, têm peso e dimensões que variam segundo a idade dos contendores (15 a 55 anos); as maiores, reservadas aos campeões da tribo, medem cerca de um metro de altura por 40 a 50 cm de diâmetro, e chegam a pesar 100 quilos! O desafio é levá-las às costas desde o local onde foram cortadas até ao centro da aldeia, num percurso médio de três quilômetros. Entre os mais importantes rituais Timbira incluem-se o Mekapri, durante o qual o espírito de uma pessoa enferma é instado a voltar ao seu corpo, e as cerimônias de casamento, morte e enterro.
Xerente. Os Xerente (Akwe) habitam o Tocantins e são hoje cerca de 1.800. Os motivos predominantes em sua pintura corporal são o traço, que identifica os que pertencem ao clã Wahirê, da Lua, e o círculo, para os que integram o clã Doí, do Sol. Adultos somente se pintam em ocasiões especiais, ao contrário das crianças, que devem andar sempre pintadas. As cores predominantes são o preto, obtido da mistura de carvão com pau-de-leite, o vermelho de urucum e o branco, reforçado com penugem de periquitos. Antes da aplicação das tintas, o corpo é untado com óleo de babaçu.
Xokleng. Os Xokleng de Santa Catarina conservaram até cerca de 1950 seus usos e costumes, crenças e cultura material, o que incluía a pintura corporal, cada família ostentando em ocasiões especiais suas “marcas” próprias, inspiradas em animais. Quando um Xokleng casado morria,seu viúvo ou viúva permanecia algum tempo em reclusão, para se purificar, e ao ser reintegrado à comunidade era recebido em meio a cantos e danças, todos usando no corpo suas marcas de identificação.Em nossos dias, os Xokleng adotaram a religião episcopal, passaram a usar roupas como os brancos e trocaram rituais e celebrações pelas reuniões quase diárias da Assembléia de Deus.Hoje, somente no Dia do Índio, 19 de abril, os 750 remanescentes desse povo se despojam de suas roupas e pintam seus corpos com as velhas marcas, não com finalidade ritualística, mas por motivação estética, por achá-las uh (bonitas). A FUNAI vem tentando em época recente reiniciá-los em seus costumes tradicionais, mas enfrenta a resistência dos religiosos.
Yawanawa. Apenas os membros mais idosos dos Yawanawa do Acre (com seus parentes, os Katukina) ainda conservam na memória os padrões ornamentais de sua antiga pintura corporal, hoje executada pelas mulheres somente por ocasião das grandes festas ou saiti (“gritaria”), como a do mariri e a da caiçuma. Nessas pinturas, cada vez menos freqüentes, predominam o preto do jenipapo e o vermelho do urucum.
Wajãpi. Esse povo, integrado por cerca de 1.000 indivíduos, mais da metade vivendo no Amapá, e os restantes na Guiana Francesa, distingue-se por ter sido responsável pela criação do padrão kusiwa (“caminho do risco”), utilizado tanto em sua pintura corporal quando na de seus objetos.Trata-se de combinar entre si do modo mais engenhoso possível desenhos estilizados de cobra, borboleta, espinha de peixe, casco de jaboti etc., assim formando intrincadíssimas tramas ad infinitum. Para os Wajãpi os padrões empregados no kusiwa foram-lhes revelados pelos mortos, e o indívíduo que tem o corpo pintado passa a se identificar com o espírito de um morto, ou de um animal. Em 2003 a UNESCO declarou o padrão kusiwa Patrimônio Imaterial da Humanidade.
Wayana. Como tantos povos indígenas, os Wayana, que habitam o norte do Pará, têm uma versão mítica para a origem dos padrões e das cores com que se pintam. Segundo eles, foi o homem-lagarto kurupeakê e a cobra-grande tuluperê que lhes forneceram os desenhos e cores (preto e vermelho respectivamente) de sua pintura corporal. Aliás, prova da superioridade do homem sobre o bicho é que cada bicho possue uma única “pele”, enquanto ao se pintar o homem pode utilizar várias “peles”. Certos motivos Wayana possuem simbolismo particular: assim, o pontilhado imita as malhas da onça e representa o domínio sobre a Natureza; o triângulo é a borboleta e remete ao mundo espiritual; e o listrado é uma alusão à cobra-grande e ao sobrenatural.


domingo, 1 de dezembro de 2013

todos tipos de opressões são baseadas em raça, etnia, credo, gênero, orientação sexual, status de imigração, o país de origem, religião, estado de saúde mental, idade e habilidade são sistêmicas na sociedade
Opressões são incorporados na cultura dominante e as instituições sociais de uma forma que é tão profundo que a maioria da parcela da sociedade considera normal. Eles afetam a percepção do mundo daqueles que consciente ou inconscientemente carregam a bagagem de atitudes opressivas e estereótipos que os tornam prejulgar os indivíduos e situações. Estas percepções levam a comportamentos que validem e propagar comportamentos opressivos.
Racismo, xenofobia, sexismo, homofobia e o machismo: causa a marginalização desses indivíduos, a exclusão social e econômica e a humilhação.E tem conseqüências de longo alcance.
A eliminação de todas as formas de opressão.
A eliminação de toda forma de exploração do homem pelo homem.
Lutar por um mundo mais justo e igualitário.
 

Acontece que a vida em sociedade só é possível se houver regras que tornem a convivência possível e que organizem as relações de poder. Em outras palavras, a política faz parte da natureza humana e está presente em todo lugar.

A política se manifesta nos mais variados e inesperados momentos da nossa vida. Não se trata apenas de uma atividade para os “engravatados” de Brasília, que vemos pela televisão e que, a cada eleição, pedem o nosso voto.

A política faz parte do dia a dia e diz respeito, sobretudo, às escolhas que fazemos. Cada vez que tomamos uma decisão e a comunicamos, ou impomos às pessoas com quem convivemos, estamos exercendo um ato político. Mesmo que esta decisão seja a de desligar a televisão para não mais assistir à propaganda eleitoral ou ouvir o discurso político. Inconscientemente, neste caso, estamos favorecendo o político que se apresenta na televisão ao não contestar o seu discurso.

Aqueles que se dizem apolíticos, ou que não se interessam pela política, na verdade têm uma atitude política: estão sendo conservadores e ajudam a manter a situação atual, pois a política permanece a forma mais eficaz para mudar o mundo. Você pode descobrir os disfarces sob os quais se esconde a atividade política, e perceber que ela pode ser um assunto interessante e agradável.
 
 
DENISE BASTOS